Mulher internada há 7 meses no Paraná por chikungunya recebe alta hospitalar

Paciente recebe alta após 227 dias internada por chikungunya em hospital de Umuarama Conceição Aparecida, de 67 anos, recebeu alta hospitalar após passar se...

Mulher internada há 7 meses no Paraná por chikungunya recebe alta hospitalar
Mulher internada há 7 meses no Paraná por chikungunya recebe alta hospitalar (Foto: Reprodução)

Paciente recebe alta após 227 dias internada por chikungunya em hospital de Umuarama Conceição Aparecida, de 67 anos, recebeu alta hospitalar após passar sete meses internada em um hospital de Umuarama, no noroeste do Paraná. Ela foi diagnosticada com Encefalite de Bickerstaff, doença neurológica autoimune foi causada após um quadro de chikungunya - arbovirose transmitida pela picada do Aedes aegypti. ✅Siga o g1 Maringá e região no WhatsApp Durante este período de internação, Conceição chegou a ficar 11 dias em coma. O primeiro sinal de consciência que ela apresentou foi quando o filho, Moacyr Gomes Brito, pediu para que ela mexesse a cabeça caso estivesse ouvindo ele. A alta médica aconteceu na quinta-feira (29). A equipe médica realizou uma festa nos corredores do Hospital Cemil. Confira o momento no vídeo acima. Foram 227 dias de internação, sendo 213 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com o hospital, é a primeira vez em 48 anos de história que um paciente fica internado por tanto tempo. "É um milagre pra gente. Não tem como falar que não é um milagre. [...] Ela sempre foi uma guerreira", Moacyr disse à RPC. Navegue nesta reportagem e conheça a história de Conceição: Quais foram os primeiros sintomas de Conceição Início da internação e diagnóstico Recuperação Casos de chikungunya no Paraná Equipe médica e Conceição se despedem durante a comemoração. Roberto Porto/RPC Quais foram os primeiros sintomas de Conceição À RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o filho Reginaldo Gomes contou que Conceição começou a apresentar sintomas semelhantes à dengue. Depois de alguns dias em que houve melhora, em 18 de junho de 2025, ele a levou ao hospital de Iporã porque ela estava com mãos e pés formigando. "Eles [médicos] fizeram o atendimento. Fez todo teste, pediu para sorrir, para apertar a mão, levantar o braço. Tudo meio que levava a ser um AVC ou algo desse tipo. Mas não era. Pegaram, fizeram os medicamentos e liberaram ela" , Reginaldo lembra. Naquele mesmo dia, ela ainda foi levada novamente ao hospital por não ter apresentado melhoras mesmo com os medicamentos. Entretanto, não recebeu diagnóstico e foi para casa. Preocupados, os filhos se revezaram para cuidar de Conceição, com um deles passando a noite com a mãe. Às 5h de 19 de junho de 2025, ele foi verificar como ela estava e encontrou a mãe sem reações e movimentos. Início da internação e diagnóstico No Hospital Municipal de Iporã, Conceição foi entubada e encaminhada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cemil, em Umuarama, quando foi estabilizada. "O médico falou que a situação era muito crítica, no caso dela. Pela pupila que estava muito dilatada, não tinha resposta neurológica. Ali, sim, bateu o desespero", Reginaldo conta. De acordo com Karina Farah, médica pneumologista que acompanha o caso de Conceição, a idosa teve sintomas gravíssimos de encefalite: tetraplegia, alterações oculares e rebaixamento do nível de consciência. Ela também explicou que foi necessário um trabalho conjunto de uma equipe multidisciplinar e profissionais de outras instituições para concluir o diagnóstico de Conceição. Ao final, identificaram que ela estava há mais de 20 dias com febre chikungunya e isso havia desencadeado a Encefalite de Bickerstaff. "Ela é rara. A gente não vê com frequência. Dos casos que a gente vê da dengue e outras infecções virais, já não é comum evoluir para a síndrome de Guillain-Barré, mas muito menos frequente ainda evoluir para a Encefalite de Bickerstaff. Mas são complicações que podem acontecer. [...] tem que prestar atenção principalmente se o paciente se queixa de sintomas neurológicos", a médica explicou. O Ministério da Saúde alerta que o vírus chikungunya pode causar doença neuroinvasiva. Além da encefalite, também são citadas Mielite, Meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias. Paciente se recupera de chikungunya grave Leia também: Veja detalhes: Motorista filmada a 140 km/h antes de capotar carro no PR cometeu 'lesão corporal culposa', conclui polícia VÍDEO: Carro conduzido por motorista bêbado invade calçada e atropela clientes de distribuidora, no Paraná Maringá: Incêndio de grandes proporções se forma em fábrica de móveis e galpão fica completamente destruído, no Paraná Recuperação Mãe em coma no PR apresenta primeira reação após filho pedir sinal e se recupera A fase mais crítica de Conceição foi em junho e julho. Mesmo que ela tenha apresentado os primeiros movimentos ao filho, ainda estava com risco de morte. Foi entre julho e agosto que ela abriu os olhos pela primeira vez. Entre agosto e setembro, Conceição começou a conversar, reconhecer familiares e demonstrou que estava com a memória preservada. Para mexer tronco, braços e pernas, foi necessário esperar até os meses de setembro e outubro. No final de 2025, Conceição contraiu infecções, teve paradacardiorrespiratória e precisou usar diversos antibióticos. Em 12 janeiro deste ano, o estado de saúde melhorou e ela recebeu alta da UTI. No dia 29 do mesmo mês, ela voltou para casa. Conceição com a família e a médica Karina Farah. Roberto Porto/RPC Casos de chikungunya no Paraná Iporã registrou 55 casos de chikungunya em 2025, sendo que este número representa 80% dos 68 casos confirmados pela 12ª Regional de Saúde, que abrange 24 municípios do Paraná. No mesmo ano, o estado confirmou 6.090 casos da doença, que é transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti. Abaixo, veja os sintomas: Sintomas da chikungunya Ministério da Saúde Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.