Policial militar é denunciado por matar jovem que voltava do trabalho no Paraná

Jovem que voltava do trabalho morre após ser baleado por policial militar O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou o policial militar Cleber Batista...

Policial militar é denunciado por matar jovem que voltava do trabalho no Paraná
Policial militar é denunciado por matar jovem que voltava do trabalho no Paraná (Foto: Reprodução)

Jovem que voltava do trabalho morre após ser baleado por policial militar O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou o policial militar Cleber Batista de Melo pela morte de Deyvid Michel Gonçalves da Silva, de 23 anos, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a família, o jovem era chapeiro e estava voltando para casa, por volta das 3h, depois de cumprir turno no trabalho. O crime foi na madrugada de 27 de outubro de 2025 e foi filmado por câmeras de segurança. Nas imagens, é possível observar o momento em que duas viaturas perseguem o carro do jovem. Os policiais descem e o veículo dá ré. É possível ouvir seis disparos. Assista ao vídeo acima. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Deyvid foi atingido por tiros no abdômen e morreu no local. No Boletim de Ocorrência (B.O) registrado pelos policiais, eles afirmaram que "agiram por legítima defesa", que o motorista "acelerou bruscamente em marcha ré" e que "por pouco não atropelou" o soldado que deu o primeiro disparo. Disseram ainda que o primeiro tiro "atingiu a lataria". Ainda conforme o B.O dos policiais, "a agressividade do condutor não cessou" e, logo depois, Deyvid "acelerou bruscamente o veículo mais uma vez", desta vez em direção ao soldado Cleber Batista de Melo, "em uma inequívoca tentativa de atropelamento". O boletim diz ainda que, para proteger a própria vida, o soldado Batista efetuou cinco disparos contra o condutor. Câmeras de segurança registraram o assassinato Reprodução Os policiais afirmaram que chamaram "imediatamente o apoio do Siate". O policial militar não tem advogado cadastrado no processo. A RPC procurou a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), que orientou a equipe a procurar a Polícia Militar (PM). A PM, no entanto, não respondeu. LEIA TAMBÉM: 'Achei que ia morrer': Vídeo mostra jovem se agarrando a árvore ao ser surpreendida por tornado no caminho para casa Meio ambiente: Empresário plantou 400 mil árvores e recuperou florestas em propriedade de 2,4 milhões de m² Vídeo: Luzes avermelhadas aparecem no céu do Paraná em fenômeno raro Rua onde jovem morreu fica a poucos metros da casa onde morava Ministério Público denuncia policial militar que matou jovem em Campo Magro A rua onde Deyvid foi assassinado fica a poucos metros da casa onde ele morava com a família. A abordagem chegou até ao local depois de uma perseguição, que teve o início registrado por câmeras de segurança. Nas imagens, é possível observar o jovem entrando em um posto de combustíveis e a viatura atrás dele. Katia Gonçalves Dos Santos, mãe de Deyvid, questiona a abordagem. "Eu entendo que aquele momento do um tiro que deram, ele já tinha parado. Por que ele desceu e deu um monte de tiros? Ele executou o Deyvid. Ele não queria prender, não queria parar. Ele [Deyvid] se assustou, com certeza. De certo, pensou 'vou embora', e estava indo para casa", lamenta. Deyvid não tinha antecedentes criminais. "Esses tiros pegaram em mim na verdade. Ele era um menino maravilhoso, trabalhador. Ele era amoroso com os irmãos, sobrinhos, primos. Tinha um cachorro que ficou esperando ele chegar, e ele não chegou", diz a mãe. No carro, os policiais afirmaram ter encontrado drogas, o que é questionado pela advogada Carolina Rockenbach, que aponta a afirmação como uma contradição no relato da PM. "Na verdade, a gente não está em frente a um confronto armado. Não existia arma, não existia equidade de confronto. O Deyvid estava voltando do trabalho, ele não estava fugindo, não estava portando nenhum tipo de ilícito", defende. Deyvid Michel Gonçalves da Silva, de 23 anos, trabalhava como chapeiro Arquivo familiar Qualificadora e afastamento Na denúncia, o Ministério Público considerou o crime de homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima, com agravante de abuso de poder. O documento diz que o soldado, "agindo com consciência e vontade, com ânimo de matar, efetuou cinco disparos de arma de fogo contra Deyvid Michel Gonçalves da Silva, produzindo-lhe lesões que causaram a morte do jovem". A denúncia considera ainda que Deyvid não teve possibilidade de se defender, uma vez que quando os disparos aconteceram, ele estava no interior do veículo e desarmado. O Ministério Público pediu que a Justiça determine a suspensão de Cleber Batista de Melo das funções de patrulhamento extensivo, devendo ficar restrito a funções administrativas. O processo tramita na 2ª Vara Criminal do Foro de Almirante Tamandaré. Agora, a Justiça deve decidir se recebe ou não a denúncia. Dependendo do andamento do processo, o policial militar pode ir a júri popular. O jovem trabalhava como chapeiro Reprodução VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.