Por que seguir rio, como fez jovem que se perdeu no Pico Paraná, não é opção mais segura? Especialista explica que ficar parado é melhor estratégia
Mapa mostra trecho percorrido por jovem que se perdeu no Pico Paraná Seguir o curso de rios, como fez o jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que ficou cinco...
Mapa mostra trecho percorrido por jovem que se perdeu no Pico Paraná Seguir o curso de rios, como fez o jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que ficou cinco dias perdido no Pico Paraná, não é a estratégia mais segura, segundo o Corpo de Socorro em Montanha (COSMO). Veja dicas abaixo. De acordo com Caius Marcellus, coordenador de Comunicação do COSMO, seguir o rio apresenta riscos elevados, principalmente por causa da dinâmica das chuvas. A orientação, segundo ele, é parar de se locomover quando perceber que saiu da trilha e está perdido. Isso facilita o trabalho das equipes de resgate. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp "O vale do Rio Cacatu recebe água de vários afluentes que descem dos vales adjacentes, e o volume d’água pode subir repentinamente, em instantes. Além disso, é uma área remota, sem sinal de telefone para um chamado de socorro. Existe a possibilidade de quedas grandes, da presença de animais peçonhentos. Enfim, existem inúmeros elementos que fazem essa descida insegura", afirmou. Roberto desapareceu no dia 1º de janeiro. Perdido por cinco dias, ele andou cerca de 20 quilômetros seguindo o rio Cacatu até chegar a uma fazenda, em Antonina, na segunda-feira (5), onde pediu um celular emprestado, ligou para a irmã e comunicou que estava vivo. Veja trajeto percorrido por ele no vídeo acima. Ele seguiu o curso do rio e, em um dos pontos, precisou pular uma cachoeira, outra medida arriscada. "As pessoas devem esquecer essa ideia errada de que é preciso insistir e ir em frente. Isso torna a busca muito mais complexa, uma vez que é preciso buscar uma pessoa em movimento constante. O ideal é realmente parar e tentar, dentro do possível, manter a calma e aguardar", reforçou. Caius ressalta que o cadastro obrigatório na entrada de parques também é um item fundamental de segurança, pois permite aos gestores dos espaços saber quantas pessoas entraram, onde estão e qual é a data prevista de retorno. Caso os visitantes não retornem dentro do prazo informado, as primeiras medidas podem ser tomadas, o que ajuda a agilizar eventuais operações de resgate. O COSMO reforça que, prioritariamente, os trilheiros devem: ➡️ Fazer o cadastro obrigatório dos parques nos postos de controle dos órgãos responsáveis; ➡️ Não utilizar entradas alternativas ou ilegais; ➡️ Estar preparado para o objetivo pretendido; ➡️ Estar equipado adequadamente, com roupas e calçados apropriados, lanterna com baterias reserva, comida e água; ➡️ Levar telefone com bateria e buscar informações, preferencialmente, em fontes oficiais. Investigação sobre o desaparecimento foi arquivada Jovem se perdeu na trilha do Pico Paraná e passou cinco dias sozinho na mata. Bruno Fávaro/RPC No sábado (3), enquanto Roberto ainda estava perdido, a Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento após a abertura de um Boletim de Ocorrência pela família de Roberto Tomaz, que mora em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Na ocasião, o delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimento da jovem que acompanhava Roberto na trilha, além de outros montanhistas que o encontraram no caminho e familiares dele. Segundo o delegado, as investigações apontaram que não houve nenhum tipo de infração penal, nem omissão de socorro. "De acordo com o que foi apurado, Roberto teria passado mal na subida da trilha e não na descida. Já na descida, ele estaria bem e não teria apresentado nenhum sintoma que precisasse de algum tipo de socorro. Roberto teria ficado para trás e teria pegado uma trilha errada e por essa razão ele teria desaparecido", afirmou Rodrigues. Leia mais sobre o caso: Seguir rio, jejum e localização temporal: veja estratégias de sobrevivência do jovem 'Se eu pudesse voltar no tempo, eu não tinha deixado ele', diz amiga Vídeo mostra primeira conversa dele com a família Veja momento em que familiares descobrem que ele está vivo Montanhistas dizem que desaparecimento de jovem em trilha expõe falhas na gestão do Pico Paraná; Estado promete reforçar sinalização Cinco dias perdido Mapa mostra caminho percorrido por jovem que se perdeu no Pico Paraná Reprodução/RPC Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga, com o intuito de ver o primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto do Sul do país. Após subirem o Pico Paraná, descansarem e encontrarem outros dois grupos no cume, Roberto e a amiga iniciaram a descida com um dos grupos por volta das 6h30 do dia 1º. Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná fica a cerca de 90 km de Curitiba e o nível de dificuldade da subida é considerado alto. Incluindo ida e volta, a trilha dura em torno de 13 horas. Em um ponto anterior ao acampamento, Roberto se separou do grupo. Momentos depois, segundo os bombeiros, o segundo grupo iniciou a descida, passou pelo ponto onde a vítima tinha ficado, mas não encontrou com ele. Leia mais notícias do Paraná: Três cidades, três estados e dois países: rua no PR permite cruzar fronteiras em poucos passos Suspeitos presos: Vendedor de ouro é encontrado morto e enterrado em quintal no PR Ivaté: Motorista de ambulância morre atingido por novilha 'lançada' contra ele Jovem de 19 anos desapareceu enquanto fazia uma trilha no Pico Paraná Reprodução O analista jurídico Fabio Sieg Martins estava em um dos grupos de montanhistas que encontrou Roberto e a amiga na trilha. Ele conta que acionou os bombeiros ao chegar ao acampamento que fica na base do morro e perceber que o rapaz não tinha mais sido visto. As buscas por Roberto começaram ainda no dia 1º de janeiro, por volta das 13h45 e envolveram bombeiros, voluntários e recursos diversos, como drones, rapel e câmeras térmicas. Desde o acionamento, procuraram pelo rapaz equipes do GOST, voluntários, uma equipe de montanhistas do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM). Depois que buscou ajuda na fazenda, Roberto foi levado para o Hospital Municipal de Antonina, onde fez exames médicos e passou por procedimentos para reidratação. Ele recebeu alta hospitalar na tarde de terça-feira (6) e foi recebido em casa com uma festa surpresa. Infográfico: trajeto percorrido por jovem que desapareceu no Pico Paraná g1 Pico Paraná. Denis Ferreira Netto/SEDEST VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.